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9
fev

ESTAMOS FAZENDO NOSSO “TEMA DE CASA”?


Mesmo antes da atual turbulência na economia brasileira, nossas fábricas apresentavam sinais da necessidade de uma melhor utilização. Sinais de ociosidade, pouca eficiência e desperdícios. Estes problemas, junto com a queda acentuada de produção e turbulência política, afetaram grande parte da indústria em nosso país.

Conforme o Banco Mundial, até 2008 tínhamos um cenário global de crescimento. Os países desenvolvidos apresentavam taxas de crescimento estáveis (abaixo de 4%), os países emergentes taxas de crescimento crescentes (em torno de 6%), e na China  taxas maiores (acima de 8% ao ano). Sabe qual é a grande diferença que existe entre o Brasil e o resto do mundo?

Após a crise de 2008, a partir de 2012, houve uma mudança no comportamento do crescimento econômico. Os países desenvolvidos e os EUA implantaram medidas para reverter o quadro de 2008, iniciando um processo de crescimento, a taxas menores se comparadas ao período anterior a 2008, porém com variações pequenas. A China e os países emergentes reduziram suas taxas, estabilizando em valores menores, porém altos se comparados com os demais. Já o Brasil, teve um comportamento totalmente diferente dos demais, impactando drasticamente em seu desempenho, recuperando-se em 2017 e com tendência de retomada deste crescimento para os próximos anos. Veja o gráfico da imagem para entender melhor este cenário.

O cenário que está se apresentando para o ano de 2018 e para os próximos anos é de retomada no crescimento mundial, também constatado pelo Instituto do Aço do Brasil, que verificou um aumento de 15,3% em 2017 em relação a 2016 na produção de aço. Este crescimento econômico deverá ocorrer num cenário com diversas influências, entre elas:

  • Uma elevada instabilidade financeira mundial;
  • Uma tendência à deflação de preços das commodities e bens industrializados.

POR QUÊ? Principalmente devido ao excesso de oferta e capacidade ociosa instalada nos diversos setores da manufatura mundial.

Como podemos fazer frente a este novo cenário?

Com a crise de 2008, a indústria americana sofreu uma grande queda em sua economia, gerando um alto índice de desemprego em seu país. Rapidamente o governo agiu com implementação de ações importantes para ajudar a economia. Ações para resgatar o sistema financeiro:

  • Redução dos impostos sobre salários; 
  • Prolongamento dos benefícios do seguro desemprego; 
  • Auxílios para o crescimento econômico das empresas. 

Além da ajuda do governo, as empresas fizeram seu “Tema de Casa”, ou seja, olharam para sua infraestrutura, seus processos e reavaliaram o que deveria ser feito para serem mais competitivas com a retomada do crescimento econômico. Sem grandes investimentos, as principais ações foram focadas em:

  • Eliminação de desperdícios
  • Revisão dos seus processos
  • Redução da mão de obra, principalmente indireta

Para serem mais eficientes, buscaram a redução dos seus custos, tornando-se mais competitivas no mercado global!

No Brasil, apesar de ter ocorrido uma queda acentuada no PIB em 2008, não houve uma grande preocupação em revisar se o que estávamos fazendo era adequado ou se poderíamos trabalhar para melhorar a competividade como foi feito pelos americanos. O próprio governo divulgava que o problema econômico era dos outros e que possuíamos uma economia forte.

Agora, em 2018, a economia no Brasil está dando sinais de melhora e o governo está implementando ações que auxiliam no crescimento econômico. Porém, é importante sabermos como estamos. Conforme a Fiesp (Federação das Indústrias do estado de São Paulo), em uma pesquisa realizada entre os meses de abril e maio de 2017 com 1.000 empresas:

  • A taxa de ocupação das indústrias estava em 67,5%. Este dado foi divulgado em uma reportagem da ABIMAQ, em janeiro de 2018. 

Se esta é taxa de ocupação, o empresário precisa investir em seu parque fabril para crescer? Aumentar ainda mais a ociosidade?

A tendência natural é trabalharmos para ocupar ao máximo esta capacidade ociosa com o crescimento da economia. E esta ação não irá ocorrer sem fazermos grandes esforços. Além disso, devemos lembrar que nossos concorrentes também estão com capacidade ociosa (principalmente no mercado externo) e muitos utilizaram o exemplo das empresas americanas para saírem da crise fortalecidas.

Então, não depende apenas do governo a melhora da nossa competividade. O momento recomenda olharmos para dentro de nossas empresas. Devemos avaliar se nossos processos estão ou serão eficientes:

  • Onde estamos gerando desperdícios que reduzem a nossa competividade?
  • O que podemos fazer para reduzir nossos custos e melhorar a eficiência, com muito trabalho mas grandes investimentos?

Chegou a nossa vez de fazer o “Tema de Casa”.

 

Roberto Job (roberto.job@qualytool.com)

É graduado em Engenharia Mecânica, com Pós-Graduação em Gestão de Manufatura e Engenharia Automotiva e MBA em Gestão Empresarial. Especialista em projetos de otimização de produtos (Engenharia do Valor) e processos de manufatura e, também, no desenvolvimento de produto por mais de 15 anos em empresas do ramo automotivo.





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